11.4.06

Quando dei por mim, já sentia em meu lábio escorrer a saliva, lenta e parabólica, cortando a realidade e me trazendo à tona do torpor que aquele corpo me mergulhara. Mãos por toda a parte, eu sentia calafrios, e a respiração quente e ofegante sobre mim, a branca pele a ruborescer, só fazia aumentar minha sensação de incômodo repentino.

Tentava olhar ao meu redor, mas a teia de cabelos loiros me cercava e o perfume a brotar do pescoço curvo fracionava toda a sorte de movimento. Eu era um prisioneiro nas mãos inimigas e não podia entender como as coisas haviam chegado a tal ponto. Já poderia até prever os comentários, os olhares, as especulações alheias sobre tudo o que se passava - existir subsequentemente mostraria-se absolutamente inquietante.

Em pernas petrificadas, hesitante nos pensamentos, entregava-me ao peso de, ainda com 10 anos, enfim perder a guerra.