9.3.06

Me lembro que quando criança eu costumava receber umas certas broncas da minha mãe por viver evitando o banho.
Eu, naturalmente, me defendia, mas mães sempre relevam os argumentos dos filhos, por melhores que sejam - e acredito que os meus, em particular, nem fossem tão bons.

O fato é que ainda hoje entendo minha posição. Não era uma questão de aversão à limpeza: a infância simplesmente não tem tempo a perder com água e sabonete, bobeiras inventadas por adultos.
O ruim do banho não é o ato em si, mas o que o circunda, a necessidade de se interromper o que se está fazendo e se despir - sem ter uma razão válida para isso! A cassação da liberdade.

O mundo é todo seu e de repente...pertence ao chuveiro. Como uma máquina desalmada, o corpo segue o processo do asseio, passo-a-passo, até a etapa final: a secagem.
Há atividade mais infindável? É a grande tortura, a que resume nossas vidas, a toalha que se enche d'água e nunca nos seca.
Existe entre nós seres capazes de suportar tal tarefa maldita?

Ah, santa sapiência das crianças. E santas mães, que cá estão para nos secar.