1.2.06

Queria aprender alguma língua estranha.

Há tantas, incontáveis...Sempre trazem alguma surpresa, um brinde-especial escondido nos dicionários que dificilmente figurarão nas livrarias. Mas todo o charme de tais línguas reside no mistério máximo: a pronúncia. Sabores únicos, um desafio à lógica lusófona.

Para começar, acho que russo já estaria de bom tamanho. Falar russo é cuspir palavrões não-convictos de seu destino, é sentir no lábio o anti-prosaico, o luxo e a luxúria. É de lascívia que se precisa para aprender tal língua. Da utilidade prática da mesma, pouco importa - há utilidade prática afinal?

São imagináveis longas tardes de esfumaçadas aulas particulares com Madame Natasha, provavelmente em uma casa burguesa antiga, de decoração mofada e, decerto, gatos por toda parte. Confesso que já estou até enauseado, sem mesmo tocar o pó do corrimão da escadaria ou sentir o cheiro impregnado da idade, mas o nojo muitas vezes é arma do desejo.

Ao sabor do improvável, brasões monárquicos espalhados pela casa. Em toda parte. Um bordel czarista no Rio de Janeiro. Um bordel de palavras desconcertadas, que comigo venham se deitar numa orgia ilógica.